Preferência de pessoas

O apóstolo Pedro reconhece que Deus aceita toda a pessoa que o teme e pratica a justiça. Ele não discrimina ninguém (Cf. Atos 10, 34.35). Por isso, todos são tratados por Ele com amor, querendo o bem de todos. É claro que a pessoa humana é instada a corresponder a esse amor, com uma vida coerente com sua fé.

Muitos parece quererem mostrar que são agradáveis a Deus quando estão atentas ou extremamente rigorosas no seguimento das rubricas ou das normas assumidas mecanicamente, mesmo sem viver seu espírito ou sentido. Jesus recriminava os fariseus nesse ponto. Assim, ao invés de se colocarem obedientes ao amor, preferem criticar negativamente as autoridades e a quem segue o espírito das normas, que é a realização do projeto de Deus na vida. Ele não nos vai julgar porque deixamos de seguir um rito próprio do passado e sim se realmente tudo fazemos para servir e amar a Ele e ao próximo. Quem critica para derrubar o outro está fazendo o contrário do amor, que é o ponto fundamental da fé em Deus.

O amor de Deus é tão maior do que o nosso que Ele não discrimina ninguém por sua tendência a isso ou aquilo; basta que a pessoa não use da tendência para praticar o contrário de sua proposta de amor, seguindo seus ensinamentos. Muitos são criticados negativamente por suas tendências sem serem olhadas em sua prática do bem, da justiça e do temor de Deus, controlando suas tendências.

Não somos melhores do que os outros, a quem queremos julgar. É de bom alvitre deixarmos  o julgamentos para Aquele que tudo sabe. Muitos  vezes podemos olhar só para um defeito dos outros e os taxamos de ruins, sem olharmos para noventa e nove por cento de suas virtudes! Às vezes podemos ter o olho ruim e vemos maliciosamente só o mal nos outros! É evidente que não somos cegos, mas poderíamos ou deveríamos ser mais misericordiosos se olhássemos para a misericórdia de Deus em relação a nós! Não podemos nos comprometer com os erros, mas  poderíamos ajudar os outros com a sã correção e penalização. O próprio Jesus nos ensina que, ao vermos um erro nos outros, deveríamos, em primeiro lugar, conversar com a pessoa em causa. Só depois com outras juntas.  E, por fim, se necessário, com as autoridades competentes. Há os que desejam que os outros resolvam certos problemas por eles enxergados sem  se comprometerem em ajudar para isso!

O apóstolo João lembra o exemplo de Jesus que se doou inteiramente a nós, até no holocausto de si, ensinando-nos que devemos também pensar  nos outros, dando de nós em seu benefício. Por isso, é mais considerado por Deus quem mostra,  na prática,  o verdadeiro amor. É maior não quem critica, mas quem sabe ajudar o semelhante a ser melhor. O ato de jogar pedra e difamar diminui a grandeza da  pessoa que o faz. É grande sim quem dá de si pelo bem do outro. Assim a pessoa obedece à missão dada por Jesus, de ser luz para todos.

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG)